quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Mais do mesmo

Eu nunca fui lá muito boa pra cumprir ordens.
Atrevida,
Folgada,
Mandona. Nem tanto. Apenas
Livre,
Solta,
Criativa,
Determinada,
Capaz.
Chefes, superiores, patrões, coordenadores, nada disso nunca me agradou.
Eu prefiro o trabalho em conjunto. Gosto mesmo da criação coletiva. Sou mais feliz porque sou dona de mim.
Em um espetáculo uma vez, aprendi que os artistas são sempre mais livres. Por isso, voam.
Toda alma de artista quer partir.
A arte de deixar algum lugar quando não se tem pra onde ir...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

BIlhete pra quem se foi...


Meu pai querido,
Por mais que nossa expressão sempre foi "meu querido e velho pai", ainda assim começo dizendo-te Meu Pai Querido, porque assim te trago pra perto, te chamo a atenção pra que se concentre só um pouquinho.

Como eu queria ter certeza que você está por perto... Como eu queria ao menos saber, ao menos sentir seu cheiro quando uma brisa passasse... Quanta falta você me faz! Sempre me pego pensando "se ele estivesse aqui, como estaríamos agora?". E em todas as festas nossos pensamentos íntimos te guardam. No natal sempre sobra um presente debaixo da árvore.

A vida continuou a mesma, mas alguns momentos perderam a graça que mereciam.
Você está bem, né?
Se um dia tiver jeito, fala comigo. Eu daria tudo pra te ver por um momento...

Com amor, Júlia.

Um carinho inesperado

Tem coisas que a gente precisa dividir, mesmo que seja só em palavras. Coisa boa a gente não deve guardar só pra si e esse domingo pra mim, é digno de divisão.
Depois de uma festa de criança que durou dois dias, depois de um poker que varou a madrugada e depois de apresentar um espetáculo infantil, tudo que eu queria era me encontrar com meu Xuxu, ir pra casa, comer e ficar pertinho.
Depois de um banho pra lavar o fim de semana, encontro cheiros pela casa. É meu Xuxu, que comprou óleos e perfumes pra uma massagem que pudesse me preparar pra semana que viria.
Simples? Parece pouco? Nâo. Não naquele momento. Não aquele Xuxu. Ele me adivinhou, me leu, me entendeu, me preparou uma surpresa que me fez ficar com essa cara de boba apaixonada durante a semana toda. Ainda estou caminhando em nuvens, sentindo os cheiros de domingo.
O melhor de todos é o cheiro dele, bem pertinho, mandando embora toda saudade acumulada dos dias distantes.
Minha toalha aidna cheira a baunilha, minha parede ainda tem o perfume dele. Meu corpo ainda guarda o toque suave, o carinho longo, o cuidado de alguém que ama...

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Tropeços da vida


Já perceberam que a correria da vida nos faz esquecer da gente? Quantos amigos eu não vejo mais... quantas festas eu perdi... quanta dicversão me esperou sem eu saber... Mas o que fazer quando seus ouvidos estão fechados à qualquer música e seu caminho está bem marcado pra não haver erros? Sempre fui aberta demais pra tudo o que a vida me oferecesse, mas de repente eu fiquei tão careta - detesto a expressão careta, mas ela se encaixa no momento. Passar a noite no buteco? Não, obrigada. Curtir um domingo na serra do Cipó? Segunda eu trabalho...Um show no fim de semana? Nesse caso não haveria motivo de recusa, mas é que a semana é sempre tão consativa... Eu tenho 3 turnos de trabalho e 15 minutos pra chegar em cada um deles. Qualquer um já teria morrido no meu lugar. Estamos em fevereiro? Podia jurar que já é agosto!
Meu momento de folga, a hora que meu coração se abre e eu volto a ouvir música, é quando o amor chega perto, me enlaça e me tira do chão...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Minha Flor, meu bebê...


Horário de almoço, o que fazer? Cochilar? Ouvir música? Continuar trabalhando? Eu não. Estou incumbida de uma missão mais que especial: Aprender a fazer pintura facial pra festa de aniversário de 3 aninhos da Flor. Ai meu Deus... A vida toda eu corri de fazer tudo o que estivesse ligado à recreação. Chatura? Não! Trauma mesmo. Comecei a trabalhar cedo. Fui (e sou) pobre desde sempre, daí o trabalho ajudava minha família e a mim também. De certo, um caminho já estava traçado: Arte! E dela eu viveria, com ela eu conviveria - e é bem complicado suportá-la as vezes. Dei oficinas de percussão em colégios absurdos, onde os professores já não eram mais donos de si. Dei aula de teatro em colégios militares, onde os meninos molhavam o cabelo pra não ter que cortá-lo quando o tenente ia fazer uma visita na escola. Percorri escolas públicas em diversos horários na busca dos míseros R$25,00 hora/aula. Fiz mobilização social com todas as minorias existentes nas secretarias da prefeitura. Mas até hoje, o mais tenebroso que já fiz foi trabalhar com recreação e animação infantil. Nãããããooooo (escorro pela parede)!!! Achei que seria fácil, até chegar ao bairro chique de BH onde estava programada a festa. Lá, crianças pipocavam aos montes, tinha menino em tudo que é janela, em cima da mesa do bolo, dentro da piscina... E não sei se você sabe, mas criança rica pode até ser mais educada, mas essa educação elas só usam quando convém. E festa é um ambiente que nunca convém utilizá-la. A menina que estava comigo e eu tentamos fazer de tudo: tentamos contação de histórias, tentamos escultura em balão, tentamos brincadeiras, tentamos músicas. Por fim a única alternativa que deu certo (e deu sossego pra gente) foi a pintura facial. Entre coelhinhos e borboletas, podíamos bebericar um refrigerante, ficar sentadinhas, curtir uma sombra. Por isso, dentre todas as coisas que eu poderia fazer pra Florzinha no aniversário dela, em disparada ganhou a opção de pintura facial. Assim eu posso ficar linda e loira na sombra entre tintinhas e comidinhas (afinal, a festa é minha e dessa vez eu como o que eu quiser!). Isso tudo inclui uma superação do trauma, afinal não vou receber nada, além da delícia de ver a Flor feliz com um rosto de borboleta.
Minha pequena... Minha magrela. Já são 3 anos... Como esse tempo corre pro que não precisa passar... O povo me pergunta: "Como você pode não querer filhos se você se desmancha com a Flor?" Eu me desmancho porque eu sou tia, só vivo o lado bom dela. O lado ruim eu tento ajudar, mas quem resolve no fim das contas é a mãe dela e essa resolução final é que eu não quero ter pra mim. Adoro roupinha de neném, adoro fazer coisas pra ela, adoro quando ela dorme comigo e contamos "sitórias" até cansar, mas querer alguém dependente de mim já é demais. Ser tia é tirar férias no paraíso enquanto a mãe padece...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Para Caio


O fato de eu ser atriz, viver de arte, gostar de música e leitura me obriga a confessar uma coisa. Há uns anos entrou um homem na minha vida que através das palavras consegue me entender e completar aquilo que eu não sei expor. Por isso eu preciso dizer: Caio Fernando Abreu, eu te amo!!! Não que eu ame o homem Caio Fernando. Não que eu o conheça pessoalmente e queira ter um caso com ele. É só uma questão de metonímia. No facebook existe um aplicativo chamado “Conselhos de Caio Fernando Abreu” e passei a utilizá-lo como uma oração diária. A de hoje foi:

“Você precisa de outros lugares, de outras pessoas e de bebidas mais fortes. Nem pensa, vai indo junto com as coisas.”
As vezes acontecem apenas frases tão bonitas que meu coração dá pulos:

"O que te dizer? Que te amo, que te esperarei um dia numa rodoviária, num aeroporto, que te acredito, que consegues mexer dentro-dentro de mim?"
E quando eu preciso entender o que estou sentindo e como dizer, é a ele que recorro:

"Eu preciso muito, muito de você. Eu quero muito, muito você aqui de vez em quando nem que seja muito de vez em quando. Você nem precisa trazer maçãs, nem perguntar se estou melhor. Você não precisa trazer nada, só você mesmo. Você nem precisa dizer alguma coisa no telefone. Basta ligar e eu fico ouvindo o seu silêncio. Juro como não peço mais que o seu silêncio do outro lado da linha ou do outro lado da porta ou do outro lado do muro. Mas eu preciso muito, muito de você."

E tem frases que são tão pertencentes a mim mesma que me assuto em me encontrar nas palavras alheias:

"Não sou pra todos. Gosto muito do meu mundinho. Ele é cheio de surpresas, palavras soltas e cores misturadas. Às vezes tem um céu azul, outras tempestade. Lá dentro cabem sonhos de todos os tamanhos. Mas não cabe muita gente. Todas as pessoas que estão dentro dele não estão por acaso. São necessárias." você é necessário...não esqueça...”

Quando as coisas não vão muito bem, é como se eu abrisse uma caixa de Pandora...

"Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu.”

“Já li tudo,cara, já tentei macrobiótica, psicanálise, drogas, acumpuntura, suicídio, ioga, dança, natação, cooper, astrologia, patins, marxismo, candomblé, boate gay, ecologia. Sobrou só esse nó no peito, agora faço o quê?”

Ultimamente, devido acontecimentos dessa vida louca, me encontro assim:

"Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena. Remar. Re-amar. Amar."

Mas lá no fundo, dentro de mim mesma, eu recorro a Caio Fernando Abreu buscando palavras dentro de mim. Palavras que possam me contar dos lados desse amor todo que eu tenho...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

CALOR!!!

VIVAS! Chegou o verão! Manhãs claras e bonitas, dias de sol, todos são mais felizes e saltitantes. Claro que essa é a minha visão do verão. Eu sim, fico mais feliz, mais disposta, com menos fome - o que é ótimo pra minha dieta - e posso pagar de fashion com meus gigantes óculos escuros. Isso tudo faz com que eu veja gente feliz e saltitante por onde eu passo, mas colocando uma lente de aumento nas pessoas, sei que não é bem assim...

Experimenta pegar ônibus 8:00 da manhã pra ir trabalhar. Primeiro que quem tem que acordar cedo no verão todos os dias pra trabalhar já não vê graça nenhuma nisso, a rotina é a mesma, só que dessa vez você tem a camisa molhada, o pé molhado e a cueca molhada de suor. ECA! Já dentro do ônibus tem aquele gordo com pizza debaixo do braço que insiste em usar camiseta no verão. No calor as pessoas fedem mais, se esparramam mais e por isso sentar em qualquer banco pode ser bem incômodo. Ninguém gosta de sentar no quentinho que o outro deixou no assento! Aquele calor todo e o povão suando, de repente você percebe que vento nenhum chega em você. Por quê? Por quê?? Porque tem uma tchuca sentada que fechou a janela pro vento não subir aquele cabelo de chapinha!! Daí calmamente você tira uma tesoura da bolsa pra cortar o mal pela raiz... mentira. Mas que você pensa isso, ah você pensa!

No caminho você percebe pessoas caminhando pelas praças, cachorrinhos passeando com os donos e você pede aos céus: MATA TODO MUNDO! Afinal, porque parece que só você tem que trabalhar nesse sol de rachar mamona? Porém, antes fosse só você, assim você esticaria suas pernas no ônibus e abriria todas as janelas, mas infelizmente existem muito mais pessoas pobres como você do que você imagina.

Bom mesmo no verão é ser rico, morar em Ipanema e nem saber o que significa trabalho. Eu queria mesmo era ser pobre por um dia porque ser pobre todo dia ninguém merece!

Minha vantagem é que eu não pego ônibus. Daí você se pergunta: "Então porque você fala tanto em ônibus? Como você conhece tão bem? Quer dizer que você é rica e nem contou?" Não minha gente, quem me dera. Mas é que eu já FUI da turma do busão, daqueles que dorme em pé no Nacional via Xangrilá voltando pra casa depois da escola. Mas antes de enlouquecer eu larguei isso tudo e... comprei uma moto! Sim, nenhum ar condicionado do mundo é melhor do que aquele ventinho de moto, mas experimenta parar num sinal vermelho no sol pra você ver! NO verão a moto me conforta de não ter que dividir espaço com mais ninguém, porém cada dia eu to com uma marquinha de sol diferente. E isso não é nada sexy! Além dos quilos infindáveis de protetor solar fator 50 no rosto e corpo - ou você acha que eu tenho esse bronze queijo minas a toa?

E assim eu vou levando meu verão. Sem dinheiro pra ir à praia, eu dou um pulinho no clube mesmo, naquela piscina mijada, com as tchucas descolorindo as pernas no sol e a farofada rolando na área de churrasco. E nem te ligo! To linda e loira enxergando pessoas saltitantes mundo à fora. Cada um vê a vida como bem entende, uai. Eu prefiro que a minha seja cor-de-rosa sempre!