segunda-feira, 4 de abril de 2011

Escrevo do hospital-2



Voltando ao hospital, voltaram todas as lembranças, todos os medos de antes. Eu não esperava mais uma surpresa desse maldito! Eu tinha dor e falta de ar e um medo danado, mas ter que voltar ao hospital da cirurgia me fazia pensar em tudo de ruim. Mantive os olhos fechados o quanto pude. Não queria estar ali, rever aquelas paredes de um branco pálido, aqueles médicos todos e aquele monte de gente com câncer de cabeça, pulmão, fígado intestino e todos os pedacinhos do corpo.

O inevitável: a médica me internou. Embolia pulmonar é sério o suficiente para que eu mereça um leito de hospital. Não há força que resista a mais essa notícia. Chorei, mas choreeeeei, mas chorei até ficar com dó de mim. Chorei compulsiva de medo e de constatação. Chorei como criança, segurando um paninho na frente da boca pra abafar o barulho. Não tem jeito, por mais que você se sinta muito bem, o câncer sempre dá um jeitinho de te lembrar que você é doente, que ele continua com você.

Nenhum comentário:

Postar um comentário