quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Ao que se vai (2)

Querido amigo...


Vinícius de Moraes chama suas amadas de"amigas". Roberto Carlos também. Acho bonito e singelo. Adotei.
São coisas que não deram tempo de serem ensinadas...
Não deu tempo de te apresentar a infinidade de músicas que eu mais gosto, e deitar de cabeça pra baixo enquanto as ouço, e canta-las baixinho porque eu tenho uma vergonha enorme de cantar pra alguém...
Nem deu tempo de cantar alguma coisa pra você...

Não deu tempo de te levar para os lugares onde me refugio, como naquele lugar de sombra no coração da cidade onde num dia cinza você foi me encontrar e trouxe tantas cores diferentes pro meu dia.

Não deu tempo de tanta coisa...
Você sempre disse que eu sou ótima. E eu sou mesmo, ÓTIMA! E ainda disse que bobo era quem se afastava de mim. Concordo! Concordo mesmo! Então a partir de agora eu posso te chamar de idiota? Ou burro?
Nem quero. Prefiro chamar do que sempre chamei, daquilo do pé da orelha que te fazia tão bem e te deixava com um sorriso bobo no canto da boca...

Não deu tempo...
E se eu esperasse? E se eu desejasse muito com todas as forças de olhos fechados, será que aconteceria? Será que você apareceria?...

Se joga.
Se joga.
Vou repetir tantas vezes quanto repito: Que seja doce!
Que seja doce!
Que seja doce....

Não foi...

Ao que se vai (1)

Querido amigo...

Escrevo como uma despedida de tudo o que poderia ter sido e não foi...
Foi tudo uma delícia e vai fazer muita falta a sua orelha fria, mas espero que entenda que eu não posso continuar.
Você me pediu pra remar. Me pediu pra entrar no barco e remar. Eu remei mas esqueci de falar que você precisava remar comigo, senão eu ficaria dando voltas em torno de mim mesma e isso não nos faz sair do lugar.
Acho que me superestimei. Ou TE superestimei. Acreditei que seria tudo tão legal que esqueci que ainda existia a possibilidade de perder. E perdi. Lembra que eu te falei que não sei perder nada? Lembra que disse que eu tenho tudo o que eu quero? Não por eu ser uma menina mimada, mas por eu ser uma batalhadora? Pois é. Agora aconteceu uma quebra: eu perdi. E posso te contar uma cosia? Dói!
Vai fazer falta sua orelha fria pra te dizer segredos de liquidificador...
Vai fazer falta seu cheirinho, seu corpo grudado "nimim", mas você entende né?
Você escolheu. A vida é feita de escolhas. Eu não posso ficar no seu caminho. Somos livres. Escolhemos as pessoas que ficarão na nossa vida. Lembra que eu disse que era problema seu? Pois é. Agora vi, é problema meu, só meu...

Seria lindo se você ficasse. Seria lindo te ver e rever e continuar nessa dúvida do ter-e-não-ter.
Esperar?
eu vou. Acho que vou.
Mas tinha que doer tanto? Logo eu que fujo de sofrimentos...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Meninices da vida adulta...


Desde menina, decisões muito sérias da minha vida foram tomadas acompanhadas de um sorvete. Não chega a ser compulsão alimentar. Não são necessários litros diários de sorvete. Mas quando a coisa aperta, quando o bicho pega e é preciso parar pra pensar, um sorvete sempre foi meu melhor companheiro.

É a união do momento, com o sabor e o espaço no meio do dia pra se pensar na vida. É o sossego de sentar-se em qualquer lugar fresco e, entre uma pazinha e outra, engolir sapos, esfriar a cabeça, acalmar palavras ásperas.

Chateações do dia, pessoas que te aborreceram, imagens felizes do fim de semana, um novo amor, tudo isso passa pela minha cabeça enquanto tomo sorvete. É o momento do dia que encontrei pra dizer: "Peraí, vou ali e volto já". Mais saudável que um cigarro na escada. Mais gostoso que uma cachaça que queima (se bem que, em certos momentos, nada substitui uma cachaça queimando!).
Percebo que tomar sorvete trata-se de uma metáfora vivenciada por mim.

Escrever também é um grande aliado. Mas no momento, justo nessa tarde, justo depois desse telefonema, justo com esse coração que cisma de ser forte mesmo que em frangalhos, peraí que eu vou ali tomar um sorvetinho...

Sutilezas de sinceridades...


Nunca vou entender ataques de sinceridade. São situações que te pressionam, assustam e não encontram "porquês".
Eu coloco que a sinceridade é um bem. Se a cultivássemos, teríamos menos cânceres, menos visitas ao terapeuta e menos ingestão de remédios. A sinceridade deve ser tomada como um hábito, assim você aprende as entonações e palavras necessárias para ser sincero e não grosseiro.
O uso homeopático da sinceridade causa mal entendido.
Sinceridades que machucam chamam-se ofensas, a diferença é que são ditas com um doce tom de voz...

sábado, 7 de janeiro de 2012

Afinal, música é texto...

Um Homem Também Chora
(Gonzaguinha)


Um homem também chora
Menina morena
Também deseja colo
Palavras amenas...
Precisa de carinho
Precisa de ternura
Precisa de um abraço
Da própria candura...
Guerreiros são pessoas
Tão fortes, tão frágeis
Guerreiros são meninos
No fundo do peito...
Precisam de um descanso
Precisam de um remanso
Precisam de um sono
Que os tornem refeitos...
É triste ver meu homem
Guerreiro menino
Com a barra do seu tempo
Por sobre seus ombros...
Eu vejo que ele berra
Eu vejo que ele sangra
A dor que tem no peito
Pois ama e ama...
Um homem se humilha
Se castram seu sonho
Seu sonho é sua vida
E vida é trabalho...
E sem o seu trabalho
O homem não tem honra
E sem a sua honra
Se morre, se mata...
Não dá prá ser feliz
Não dá prá ser feliz...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Trecho de "O amor esquece de começar", de Carpinejar.

No momento preciso, meus preferidos possuem as palavras certas pra mim, então, porque escrever? Apenas cito-os, exibida por sentir que algo foi escrito pra mim, mesmo que não seja...



Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez.
Medo de sacrificar a amizade.
Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros.
Medo se o telefone toca, se o telefone não toca.
Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa.
Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo.
Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Não suportar ser olhada com esmero e devoção.
Nem os anjos, nem Deus agüentam uma reza por mais de duas horas.
Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen,
de ser tragada como se fosse leve.
Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida.
Medo de enfrentar a infância, o seio que criou para aquecer as mãos quando criança, medo de ser a última a vir para a mesa, a última a voltar da rua, a última a chorar.
Você tem medo de se apaixonar e não prever o que pode sumir, o que pode desaparecer.
Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta.
Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso,
medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer,
talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia.
Medo do imprevisível que foi planejado.
Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue.
Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo.
O corpo mais lado da fraqueza.
Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado.
Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente.
Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam.
Medo de que ele inspire a violência da posse, a violência do egoísmo,
que não queira repartir ele com mais ninguém, nem com seu passado.
Medo de que não queira se repartir com mais ninguém, além dele.
Medo de que ele seja melhor do que suas respostas, pior do que as suas dúvidas.
Medo de que ele não seja vulgar para escorraçar mas deliciosamente rude para chamar,
que ele se vire para não dormir, que ele se acorde ao escutar sua voz.
Medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa,
recolhida como se fosse paz.
Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas.
Medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer.
Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção.
Medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas.
Medo de que ele não precise de você.
Medo de ser uma brincadeira dele quando fala sério ou que banque o sério
quando faz uma brincadeira.
Medo do cheiro dos travesseiros.
Medo do cheiro das roupas.
Medo do cheiro nos cabelos.
Medo de não respirar sem recuar.
Medo de que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo.
Medo de não ser convincente na cama, persuasiva no silêncio, carente no fôlego.
Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade.
Medo de não soltar as pernas das pernas dele.
Medo de soltar as pernas das pernas dele.
Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir.
Medo da vergonha que vem junto da sinceridade.
Medo da perfeição que não interessa.
Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida.
Medo de estragar a felicidade por não merecê-la.
Medo de não mastigar a felicidade por respeito.
Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la.
Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar.
Medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou.
Medo de faltar as aulas e mentir como foram.
Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto,
do convívio sem alguém para se mostrar.
Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha.
Você tem medo de já estar apaixonada...

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Se o erro for bom, insistir...


Ele tinha a mania de fazer tudo errado desde sempre.
Comentou dos cabelos coloridos com se fossem únicos. Observou seu jeito de mexer a boca ou de sorrir com os olhos.
Esperou o tempo certo para o primeiro contato.
Beijou-a como se quisesse há tempos.
Não revelou mais nada. Nem disse se iria reencontrá-la. Reencontrou.
E continuou com o beijo que parecia guardado pra ela.
em cada reencontro, novos erros.
Falou ao pé do ouvido.
Andou de mãos dadas.
Prometeu esperá-la. Esperou.
Quis revê-la, mas não assumiu!
Aconteceu o reencontro. E mais um. E mais um e em cada um uma sucessão de erros.
fugiram juntos. Algumas vezes.
Ele deixava-se ser guiado pela mão.
Ela guiava como se soubesse pra onde ia. Não sabia, mas guiava.
Ele não falava.
Ela falava pelos cotovelos.
E a cada fuga novas poucas palavras, momentos de poucas entregas.
Vontade, mesmo na distância.
Sobrava sempre aquele riso bobo no canto da boca.

Ele tinha a mania de fazer tudo errado desde sempre.
E ela, gostava mais e mais...