segunda-feira, 4 de abril de 2011
Escrevendo do hospital-saco!
Estou ligada em uma maquininha que controla a quantidade de heparina que eu tomo. Essa heparina “raleia” meu sangue e assim o trombo vai se desfazendo. Ele e outros que existirem. São 3 gotas por hora! E eu fico aqui feito cachorro na coleira...
Escrevendo do hospital - ai Jesus!
Quando eu estava chorando por ficar internada, minha irmã foi avisar minha família pelo telefone e saiu da sala. Enquanto isso eu chorava e chorava. Uma senhora evangélica que acompanhava um paciente veio pregar pra mim (garro num ódio de crente pregando pra mim!) e disse “pensa no senhor Jesus e peça que ele passe as mãos ensangüentadas dele sobre você pra te curar” e eu pensei “ECA! Ele que vá lavar as mãos antes disso!”
Vê lá se Jesus vai querer passar as mãos ensangüentadas em mim, gente? Pra quê? Pra eu correr pro banho? Ele é mais inteligente que isso né...
Vê lá se Jesus vai querer passar as mãos ensangüentadas em mim, gente? Pra quê? Pra eu correr pro banho? Ele é mais inteligente que isso né...
Escrevendo do hospital-José de Alencar

Que diabo de doença dos infernos é essa que consome esse mundo de gente? E não há dinheiro nem remédio que resolva, ela não poupa ninguém! Ouvi dizer que o José de Alencar tomava um remédio que custava mais de 100 mil reais a dose. Adiantou? Não! Ele sarou? Não, ele morreu de câncer! Assim como ele, o Zé da esquina, abandonado no hospital, também tratava de câncer também morreu. Vidas tão diferentes, mortes iguais...
Escrevo do hospital... ê irmã.

Esses últimos dias foram assim: minha mãe internou quinta feira pra fazer uma cirurgia de pedra na vesícula. Voltou pra casa segunda de tarde. Minha irmã ficou com ela todos esses dias. Terça 5 da tarde eu estava internando e quem ficou noite e dia comigo? A mesma irmã. Não que eu não tenha mais quem fique, hoje estão todos se revezando, só minha mãezinha que não pode ficar aqui porque está recém operada. E minha irmã socorre, entende, ajuda, não tem frescura de nada, me carrega no colo se precisar, chora comigo diante das notícias, chora lá fora pra eu não ver, se distrai, fica irritada, enfim, vive a minha dor.
Quando soubemos da internação ela disse “eu preferia que fosse comigo”. Eu sei irmã. Mas dentre todos vocês eu ainda assim prefiro que seja comigo porque enquanto sou eu quem passa por isso eu vou me virando, não me deprimo, continuo sendo forte, faço tudo que posso. Mas e se fosse com algum de vocês? Aí sim doeria mais pelo fato de não poder sentir na pele a mesma dor. E eu sei que é bem assim que você se sente...
Escrevo do hospital-2

Voltando ao hospital, voltaram todas as lembranças, todos os medos de antes. Eu não esperava mais uma surpresa desse maldito! Eu tinha dor e falta de ar e um medo danado, mas ter que voltar ao hospital da cirurgia me fazia pensar em tudo de ruim. Mantive os olhos fechados o quanto pude. Não queria estar ali, rever aquelas paredes de um branco pálido, aqueles médicos todos e aquele monte de gente com câncer de cabeça, pulmão, fígado intestino e todos os pedacinhos do corpo.
O inevitável: a médica me internou. Embolia pulmonar é sério o suficiente para que eu mereça um leito de hospital. Não há força que resista a mais essa notícia. Chorei, mas choreeeeei, mas chorei até ficar com dó de mim. Chorei compulsiva de medo e de constatação. Chorei como criança, segurando um paninho na frente da boca pra abafar o barulho. Não tem jeito, por mais que você se sinta muito bem, o câncer sempre dá um jeitinho de te lembrar que você é doente, que ele continua com você.
Escrevo do hospital-1
Embolia... trombose... Marevan... Heparina... Nomes não habituais pra uma pessoa de 23 anos recém completados.
Realmente, o câncer é cruel e triste. Te consome, te apronta surpresas.
Segunda dia 28/03 eu fui parar no hospital devido uma embolia pulmonar, é o mesmo que trombose, mas no pulmão. Fui saber que a trombose é comum em pacientes que se tratam com hormônios. Inferno! Eu tenho câncer há 3 anos e ninguém nunca tinha me dito isso! Eu nunca imaginei que pudesse ter um piripaque por causa de um “trombo”! É grave? Eu poderia ter morrido? SIM! Se ele tivesse parado no meu coração eu teria uma parada cardíaca, se fosse pro cérebro era meu fim! Pra minha sorte ele era pequeno e o caminho normal foi pro pulmão. Pra tudo há jeito...
Deus dá o frio conforme o cobertor...
Realmente, o câncer é cruel e triste. Te consome, te apronta surpresas.
Segunda dia 28/03 eu fui parar no hospital devido uma embolia pulmonar, é o mesmo que trombose, mas no pulmão. Fui saber que a trombose é comum em pacientes que se tratam com hormônios. Inferno! Eu tenho câncer há 3 anos e ninguém nunca tinha me dito isso! Eu nunca imaginei que pudesse ter um piripaque por causa de um “trombo”! É grave? Eu poderia ter morrido? SIM! Se ele tivesse parado no meu coração eu teria uma parada cardíaca, se fosse pro cérebro era meu fim! Pra minha sorte ele era pequeno e o caminho normal foi pro pulmão. Pra tudo há jeito...
Deus dá o frio conforme o cobertor...
Escrevendo do hospital...

No período de 29/03 a 04/04 eu fiquei internada no hospital Luxemburgo em BH.Pra quem ainda não sabe (o que eu duvido), eu tive câncer de tireóide em 2007, fiz cirurgia, tomei um iodo radioativo como tratamento e desde então faço religiosamente o controle da doença. Acontece que em palavras fica simples assim, mas só eu sei bem os medos todos que um paciente oncológico envolve. E por mais uma vez a doença me passou um susto e eu continuo me perguntando: Até quando?
Sem mais delongas, eis aqui um pedaço muito grande de dentro de mim...
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