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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Atriz da vida real.


E se eu fizesse a cena daquela que é abandonada, funcionaria?
Não faz minha linha, mas eu sei muito bem jogar esse jogo. Senão todos esses anos de teatro seriam em vão...
O que não dá é pra lidar com atriz da vida real.
Sei me fazer de frágil, de mulherzinha. Sei disfarçar a objetividade nas entrelinhas, mas o que eu não sei é fazer ceninha...
Vai? Pode ir. Se eu chorar vai ser pelo que poderia ter sido e não foi, e não pra você ficar.
Você só fica se quiser, afinal, você sabe muito bem o que tem aqui.
Talvez a falta de jogos me deixou transparente demais. Ninguém em segura quando resolvo dizer o que sinto e talvez eu tenha feito bem demais pra sua auto-estima...
Aos trancos e barrancos eu vou me segurando. Já passei por cosia pior. E já te contei isso. Aliás, te contei coisas demais...
Vai. Vai que eu vou ficar por aqui fingindo ser forte e dar conta.
Por dentro tem uma menina frágil precisando de colo; tem uma boba que fica com o telefone na mão esperando sinal de vida; tem uma furacão vermelho que roda com fúria.
Mas ainda assim, essa menina-boba-furacão pega um saquinho, guarda as coisas e promete não fazer nada disso nunca mais (mesmo continuando a esperar...)...

sábado, 8 de outubro de 2011

Quando ser atriz pode incomodar...



Por mais bonito que seja, ser ator não é nada fácil. Claro, sabemos todos que não há nada fácil nessa vida e que cada um sabe bem a dor e a delícia de ser o que é, mas o fato é que atuar chega a ser, por alguns momentos, crueldade.

Massacramos nossos sentimentos, ignoramos o momento presente pelo personagem, pela arte e por N coisas que aprendemos á renunciar quando decidimos ser atores.
Não estou me queixando. Escolhi ser atriz e sigo nessa lida até que o teatro não me queira mais, mas a crueldade está na mania que o teatro tem de nos despir constantemente. Realizamos um strep-tease diário de sentimentos e sensações. Despimos-nos da realidade e entregamos sorrisos sinceros e prazeres gerais.

Nem só de enganações vive o ator, mas de todo aplauso que sai das mãos do público.
Talvez seja a capacidade de nos despir e nos entregar às mentiras que nos mantém vivos. Talvez seja a glória de, por apenas 2 horas, esquecer de tudo aquilo que existe e ser outro alguém.
Talvez seja essa confusão mental que nos impulsiona a acreditar, a levantar da cama nos dias de cão e a dizer: que seja doce!

De fato, “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é...”

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Na mesma máscara...




Sim, a vida do ator é muito disso tudo que dizem: diversão, loucura, amores, intensidade... Isso porque trabalhamos com o que gostamos e colocamos a alma naquilo afinal, o ator sempre põe sua alma à frente.
Porém é apenas quase, quase tudo o que se parece. Existem os segredos expostos que todo mundo sabe mas que fazemos questão de esquecer. Ou encontramos um falso conformismo e aceitação do tipo "o que tiver de ser, será...". Puras mentiras. Puro teatro. A insegurança da profissão é algo que sempre incomoda, consome e traz a vontade de desistir, de reoptar, de se reprogramar como se pudéssemos dizer: a partir de hoje não serei mais ator!

Sinceramente, ex-ator pra mim é como ex-gay. NÃO EXISTE!

É um universo tão intenso (o do ator, o do gay conversamos depois) que faz a gente perceber o mundo de outra forma, como se houvesse uma lente grudada aos olhos que faz com que as sutilezas da vida ganhem nova cor. Excesso de paixão? Talvez... Mas os atores que tentam se desvencilhar dos caminhos injustos do teatro, quase sempre terminam infelizes...

Tanto e tanto amor não são o bastante pra nossa auto-suficiência. E quando ser o bom ator, aquele que é disciplinado, esperto e competente não é o suficiente? Posso falar? Nunca é. Porque não nos alimentamos de luz do palco, não comemos cenários e nem pagamos ônibus com pequenas cenas de monólogo. Talvez seja essa a evolução do ator: se alimentar da luz dos refletores. Ou do aplauso da platéia. E nosso trabalhos será moeda de troca por onde formos.

Não... isso nunca vai acontecer. Pura ilusão. Você que me lê e que não é ator, você que faz faculdade de qualquer outra coisa exceto Teatro, quando você se formar você tem pra onde enviar currículo? Tem perspectiva de salário? Vai ser um bom profissional pra se sustentar na sua área? As respostas pra essas perguntas quase sempre serão "sim". Pro ator sempre será um "não sei".

Não temos lugar próprio pra envio de currículo e nossos currículos não poderiam ser enviados pra qualquer lugar pois o que possuímos são currículos artísticos e esses, não servem pra outras profissões. Não possuímos perspectivas de salário e tampouco sabemos se a grana dos palcos ode um dia nos sustentar (a não ser se estivermos em cartaz com 6 espetáculos diários pra todo sempre...)

Já parou pra pensar que quando você vai curtir o fim de semana, quase sempre você se depara com um ator? Seja no cinema, no teatro ou quando fica de bobeira na TV. Toda a série de TV que você gosta possui atores. Todos os filmes que você ama não seriam possíveis sem os atores. E já parou pra pensar por onde andam essesa atores quando a gravação de um filme acaba? Ou quando um espetáculo termina? Pior: já imaginou como pode ser difícil pra um ator se divertir caso ele não queria ver atores em lugar nenhum? Somos nós que te divertimos e quase nunca fugimos de nós mesmos...

Tenho medo disso tudo. A insegurança é companheira tão constante que todo dia eu mudo minhas perspectivas. É fato: pra ter grana e se dar bem o ator tem que ser bom! Mas bom o que? Bom ator? Músico? produtor? Cenógrafo? Iluminador?...

São tantas as funções em um teatro e a grana é tão injusta que em todos os cantos existem os atores-alguma-coisa. Ator-cantor, ator-músico, ator-produtor, ator-garçon, mas ator-ator, daqueles que vivem pra atuar, esses estão cada vez mais raros pois a situação está cada vez mais difícil.

Pior ainda é pra nós, atores feios que não possuem perfil de Tv. Nós que abraçamos o teatro por vaidade às avessas e/ou por amor, ficamos perdidos entre tantas opções de ser ator-alguma-coisa. Eu particularmente sou atriz-tudo. Não só por acreditar que o ator deve ser completo, mas também porque na vida que escolhi, onde é somente arte o que sei fazer, não é muito que me resta...